Contexto
Físico do Concelho :
Situado à Norte da Ilha do
Fogo, o Concelho dos Mosteiros estende-se
por uma área de 85 Km2, representando
cerca de 17% do total da Ilha e cerca de 2%
do território nacional.
O Município conta já com uma
população de cerca de dez mil
(10.000) habitantes, correspondente a 27%
da população residente na Ilha.
A população está
distribuída por cerca de dezasseis
(16) pequenas localidades: Vila de Igreja,
Queimada-Guincho, Mosteiros-Trás, Fajãzinha,
Feijoal, Ribeira do Ilhéu, Sumbango,
Murro, Rocha-Fora/Ligeirão, Atalaia,
Cova-Feijoal, Pai-António, Cutelo-Alto,
Corvo, Achada-Grande e Relva, sendo as de
Queimada-Guincho e Mosteiros-Trás aquelas
que registam a maior concentração
populacional, e a de Guincho igualmente àquela
que apresenta a maior taxa de crescimento.
À semelhança do que
se regista no país, a população
do Concelho é extremamente jovem em
que cerca de 70% possui menos de trinta anos
de idade.
O Concelho dos Mosteiros é
montanhoso cuja orografia, dificulta grandemente
o acesso a várias localidades. Até
ao presente não foi possível
desencravar as localidades como Cutelo-Alto
e Ligeirão, localidades essas que apresentam,
todavia uma população já
com alguma relevância estatística.
Situado na parte alta do Concelho,
Monte Velha é considerado um parque
natural de espécies exclusivas da Ilha.
Grande parte do solo das zonas Sul
e Centro do Concelho é coberta de lavas
vulcânicas, que resultaram de sucessivas
erupções do passado( refira-
se que a última erupção
vulcânica registou- se a 02 de Abril
de 1995 ) e reduz significativamente a área
cultivável do Concelho.
Clima: 
O clima do Concelho é o tropical seco
com a existência de vários microclimas
desenvolvendo-se de acordo com o relevo e
a exposição a ventos. Entretanto,
esses microclimas não tem tido grande
expressão a nível da produção,
devido aos sucessivos anos de seca.
A temperatura média anual
é de 22º C, apesar do clima ser
muito mais fresca nas zonas altas de Mosteiros.
A memória colectiva dos habitantes,
distingue três zonas em função
do relevo, sendo certo que, a forma de exploração
de agricultura e o tipo de cultura, também
vai diferenciando à medida que se passa
de uma zona para outra.
Assim, a Zona Baixa caracteriza-se
essencialmente pela cultura de sequeiro aquela
que regista o menor índice de pluviosidade.
As terras são muitas parceladas e têm
vindo progressivamente a ser utilizadas para
construções de habitações
e outras Infra-estruturas.
A Zona Média situada a uma outra altitude
é mais húmida, propiciando deste
modo o desenvolvimento da fruticultura e pecuária.
Caracterizada, no passado, por ter
um índice elevado de pluviosidade durante
a época das chuvas, na Zona Alta, para
além da fruticultura, desenvolve-se
a cultura de café e do vinho, produtos
que, embora padecendo de políticas
de incentivo e modernização,
deram sempre ao longo do ano uma contribuição
grande para as economias das famílias
do Concelho.
Potencialmente produtor de riquezas
e postos de trabalho, a fruticultura e a cafeicultura
não têm dado nos últimos
tempos a mesma contribuição
à economia do Concelho, devido sobretudo
à diminuição progressiva
da pluviometria, à não realização
de investimentos, particularmente na cultura
do café, através da introdução
de novas plantas, cuidados fitossanitários,
etc.
O período das chuvas decorre de Julho
a Setembro, com uma média de nove (9)
dias de chuva por ano, nas últimas
décadas. Valores acumulados de 1998
foram inferiores aos de 1997 e à média
da década de 1981-1990 ( 469 mm ).
Agricultura,
Silvicultura e Pecuária:

A agricultura desenvolvida no Concelho é
predominantemente de sequeiro, mais virada
à sobrevivência do que uma actividade
económica na verdadeira acepção
do termo. De há uns anos mais concretamente
de 1997 a esta parte, começaram a aparecer,
timidamente, algumas iniciativas de investimento
na área de irrigação
com o incentivo da Câmara Municipal,
sendo ainda investimentos de relevo na medida
em que participa de forma expressiva na acumulação
de riquezas e terão contribuído
para a melhoria da dieta. A agricultura no
Concelho possui como potencialidades: Terreno
fértil, com a existência de microclimas,
sobretudo vocacionados para o desenvolvimento
de fruteiras e algum conhecimento no domínio
de práticas agrícolas e de pecuária.
Um forte potencial nesse sector é a
qualidade das frutas produzidas no Concelho,
nomeadamente, goiabas, papaias, uvas, marmelos,
laranjas, mangas. De salientar que são
frutos de épocas e a sua produção
na maioria das vezes é acompanhada
de grandes excedentes que não são
consumidos nem comercializados no mercado
local. Uma alternativa seria a transformação
dessas frutas e existe um projecto da Associação
de Desenvolvimento Comunitário de Atalaia
com vista à busca de financiamento
destinado a este fim. Destaca-se neste particular
a existência de uma Adega de fabrico
do célebre Vinho “ Manécon
do Fogo” (tinto, branco e licores) muito
apreciado pelos turistas e que é engarrafado
em Chã das Caldeiras e comercializado
no mercado nacional. Por outro lado, existe
na localidade de Achada-Grande (Concelho dos
Mosteiros) uma Cooperativa de Vinicultores
que foi montada com apoio da Cooperação
Alemã na década de 90 e que
por falta de apoio técnico e recursos
financeiros se encontra inoperacional, carecendo
no entanto de ser reactivada.
A agricultura de sequeiro enfrentou sempre
os constrangimentos naturais, tais sejam:
- Precipitações anuais em geral,
mal distribuídas no tempo e no espaço;
- Ocorrência de pragas;
- Forma de exploração da terra
(maioritariamente em regime de parceria) pouco
motivador ao investimento na protecção
de solos;
- Custos de factores de produção
extremamente elevados;
- Deficiente sistema de abastecimento de água,
o que não encoraja o desenvolvimento
da irrigação e/ou regas de compensação,
nos casos de agricultura de sequeiro;
- Falta de factores de produção
a nível local, nomeadamente sementes,
pesticidas, adubos químicos, rações
, medicamentos, etc.;
- Falta de equipamentos de transformação
e conservação de produtos agrícolas;
- Deficiente circuito de comercialização
seja dentro da Ilha, da Região Fogo/Brava
ou Nacional;
- Mão-de-obra relativamente cara e
pouco disponível.
Os agricultores dos Mosteiros mantêm-se
receptivos à prática da agricultura
de regadio pelo que, em virtude da escassez
e irregularidade das chuvas verificadas nos
últimos anos, a cultura de regadio
com a utilização do sistema
de rega gota-gota configura-se como uma alternativa
à melhoria das condições
de vida das pessoas. Urge, no entanto encontrar
uma alternativa no que se refere ao custo
de água, que neste momento é
um obstáculo de peso.
As duas últimas campanhas agrícolas
foram satisfatórias designadamente
no que se refere à produção,
sendo certo que a campanha de 2001 foi pior
do que a de 2000. De todo o modo os dados
indicam que a percepção dos
agricultores varia, facto que seguramente
está relacionado seja com a irregularidade
das precipitações, pragas ou
mesmo a qualidade dos solos.
Neste particular, pensamos que uma atenção
especial deve ser dada aos agricultores e
deve ser definida uma política clara
de protecção e correcção
de solos bem como uma política de renovação
e extensão da área da cultura
do café que padece de apoios técnicos
e financeiros. Convém realçar
que no Município dos Mosteiros existe
uma Fábrica de descasque, torrificação
e embalagem do café do Fogo, considerado
um dos melhores do mundo.
De igual modo, foi criada a Associação
dos Produtores de Café da Ilha do Fogo,
denominado “PROCAFÉ” com
o propósito de melhor defender os interesses
dos agricultores e produtores do café.
A silvicultura tem merecido especial atenção
desta Edilidade. O perímetro florestal
de Monte-Velha situado a mil metros de altitude
do nível médio do mar é
considerado um dos maiores parques de Cabo
Verde onde ainda se conservam várias
espécies de árvores como são
os casos do eucalipto, acácias, cupresso,
etc. Para além disso, anualmente são
plantadas novas árvores com o fito
de não só estender o perímetro
como também conservar as espécies.
A pecuária aliada à agricultura
é também uma actividade que
tem merecido alguma atenção
no nosso Município. O gado bovino,
caprino , suíno bem como as aves de
capoeira são as espécies cujos
criadores dispensam maior atenção.
Realça-se que no nosso Município
os criadores fabricam o queijo artesanal (da
cabra ) muito apreciado e a manteiga da vaca
cuja delícia é apreciada nos
famosos pratos típicos da casa.
Pesca:
O sector da pesca é de importância
vital para o desenvolvimento do Município
. Para além de ser um sector que gera
outros empregos, vem dando um contributo valioso
a nível de segurança e qualidade
alimentar da nossa população.
Existem nos Mosteiros seis zonas piscatórias.
Este sector padece de uma atenção
especial no que se refere a melhoramentos
das embarcações, equipamentos
com redes e motores de popa e da própria
conservação do pescado. A pesca
no Concelho abrange essencialmente, a pesca
de grandes pelágicos com a utilização
da técnica de linha ( pesca de fundo
), e de pequenos pelágicos com recurso
as redes de cerco e de emalhar introduzidas
pelo Projecto – Alemão/ FOPESCA,
que faz captura das espécies como cavala,
chicharro, palombeta.
Segundo estudos do INDP ( Instituto Nacional
de Desenvolvimento das Pescas ) existe potencial
haliêutico ecologicamente explorável,
capaz de propiciar um rendimento razoável
a muitas famílias.
O sector das pescas seria uma alternativa
válida de exploração
para o Município. O pescador dos Mosteiros,
em regra, tem múltiplas funções
( é, ao mesmo tempo, agricultor, empregado
das FAIMO- Frentes de Alta Intensidade de
Mão- de –Obra e construção
civil, etc. )
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